CONTO – A OBRA ABANDONADA

Resolvi me arriscar escrevendo um conto de terror. Tentei criar uma história diferente e com algum conteúdo inovador. Espero que gostem! Obs: caso queiram republicar ou narrar em algum podcast, peço que entrem em contato para solicitar a autorização e peço que divulguem a autoria. Por favor, não roubem o conteúdo. Espero que o conto assombre à todos! Bruce Clark.

A OBRA ABANDONADA

Confesso que já passei em frente à várias dessas obras abandonadas. Acredito que são somente obras embargadas, provavelmente por conta de algum problema na justiça, ou o dinheiro tenha acabado, ou até mesmo a prefeitura não tenha autorizado à construção após ter sido iniciada. Pode ser.

Porém, nessa história, nesse lugar em específico, acredito que a obra estava abandonada por outro motivo. Um motivo perturbador.

Trabalho em uma grande empresa multinacional há muitos anos. Embora ganhe um salário razoável para manter uma vida boa, sem faltar nada, geralmente o trabalho é muito puxado e exaustivo, e acabo não tendo uma vida social. Todos os dias é a mesma rotina: Acordar as 7, tomar um banho rápido, engarrafamento, trabalho, engarrafamento novamente, jantar algum grude e dormir entre 4 e 6 horas. E toda essa rotina regada à vários cigarros para aliviar a tensão.

Inesperadamente, certo dia, meu chefe me chama para conversar e me pergunta se eu poderia fazer uma viagem para uma cidade próxima para atender pessoalmente um grande cliente. Ressaltou que todas as despesas seriam pagas e que eu poderia utilizar um carro da própria empresa ou utilizar o meu carro e ser reembolsado pela gasolina.

Fiquei pensativo por alguns segundos, refletindo sobre o tédio que são todos os meus dias e achei que seria uma grande oportunidade para dar uma relaxada na estrada e fazer algo diferente que quebrasse aquela rotina morosa de sempre. Aceitei o convite de bom grado, ressaltando que preferia utilizar meu próprio carro. Afinal de contas, ele já estava velho e eu já estava acostumado com o câmbio dele. E não posso mentir que adoro esse carro e o barulho do motor que não tem igual.

No dia seguinte, que já era o dia da viagem, acordei mais cedo ainda, às 5 da manhã, pois precisava chegar no cliente às 9 horas da manhã e só de estrada eram 2 horas. Tomei um banho rápido, peguei meu melhor conjunto social e o vesti.

Ainda estava escuro quando saí de casa. Liguei o celular no aparelho de som do carro, Iron Maiden (álbum Piece of Mind) em um volume considerável e cantando alegremente um falsete para imitar o agudo impossível do Bruce Dickinson de 1983.

Janela aberta, cigarro aceso e respirando aquele ventinho frio de término de madrugada, fui percorrendo as ruas do meu bairro até chegar no acesso da rodovia que me direcionaria ao meu destino.

Como ainda não havia comido nada, resolvi parar em um posto de gasolina no meio da estrada para tomar um café expresso e comer um pão de queijo. E aproveitar para fumar mais uns dois cigarros antes de voltar para a estrada. Dei uma olhada no marcador de gasolina e estava com meio tanque. Pensei: “Acho que da para ir tranquilo. Na volta eu absteço.” Afinal de contas ia pegar reembolso da gasolina.

De barriga cheia, com um energético gelado em mãos, voltei para a estrada munido de chicletes de menta para disfarçar o cheiro do cigarro no futuro. Som alto novamente e pé na estrada.

Cheguei na cidade destino as 8:30 AM. Trinta minutos antes do horário combinado. Aproveitei para fumar mais uns dois cigarros (vendo notícias no celular), joguei dois chicletes na boca e fui visitar meu cliente.

Passei o dia apresentando o produto da minha empresa e negociando as vendas com um gerente muito gentil e educado, que me chamou para almoçar. Fomos almoçar e descobri que ele também fumava. Fiquei aliviado, pois estava com muita vontade de fumar e não queria incomodar ninguém com o cheiro do cigarro. Nos demos muito bem. Comemos em uma churrascaria deliciosa, falando muita besteira e tomando algumas cervejas. O clima era levemente frio com o céu nublado, fazendo com que a carne vermelha e sangrando caísse bem no estômago.

Fiz questão de pagar a conta, afinal queria agradar meu cliente e fechar negócio para ficar bem visto aos olhos do meu chefe e também porque eu gostava do meu trabalho e o rapaz foi muito gentil comigo.

Voltamos para a empresa, passei o resto da tarde conhecendo os funcionários e apresentando os meus produtos. Todos foram muito gentis comigo. Foi realmente um dia maravilhoso de trabalho!

Fechamos negócio por um bom preço. Com certeza meu chefe ficaria muito feliz com o resultado.

O clima que já estava bom ficou ainda melhor. Todos saíram ganhando. Eles precisavam comprar meu produto para alavancar a empresa deles e eu precisava vender para aumentar os lucros da empresa em que eu trabalhava.

Diante do clima de festa, todos decidiram fazer um happy hour em um PUB próximo da empresa e insistiram que eu fosse de qualquer jeito.

Eu sabia que não podia sair muito tarde, pois pegaria estrada e ainda por cima seria perigoso dirigir alcoolizado.

Com tantas insistências, aceitei o convite.

Bebi algumas cervejas e virei uma dose de tequila acompanhados de mais alguns cigarros. Em 2 horas de confraternização, já estava me sentindo alcoolizado, mas consciente e ainda com os sentidos aguçados.

Expliquei à todos que precisava ir embora, afinal o caminho de volta era longo e eu me sentia exausto!

Me despedi rapidamente das pessoas com um sinal de “tchau” e fui retribuído calorosamente. Dei um abraço amigável no gerente com quem fechei negócio e me tratou com muita cordialidade, paguei uma boa parte da conta e me dirigi ao carro que estava estacionado bem próximo ao PUB.

A rua estava vazia. Aquele silêncio do interior. O ar estava frio. Era aproximadamente 21:30 PM e eu já estava fazendo os cálculos do horário que chegaria em casa. Acendi mais um cigarro, apertei o botão para destravar o carro e estava abrindo a porta quando o gerente, que veio correndo atrás de mim um pouco depois de eu ter saído do PUB,  fala alto de longe:

“Espere um pouco!”

Tomei um leve susto e olhei em direção à ele que vinha correndo, bufando e balançando a barriga em formato de pêra.

“Esqueci de te falar uma coisa…”

Olhei para ele com um breve sorriso e perguntei:

“O que foi?”

Ele me responde:

“O prefeito da cidade iniciou hoje uma obra de recapeamento do asfalto da estrada principal.”

Falei prontamente:

“Estranho. Não reparei em nenhuma obra vindo para cá.”

Ele retrucou:

“É porque as obras se iniciaram hoje de noite as 21:00 PM, no horário com menos movimento, para não prejudicar tanto o trânsito. É um trecho pequeno da estrada. Em um dia a prefeitura deve concluir a obra.”

“Entendi…”, falei meio cabisbaixo.

“Será que vai estar trânsito?”, perguntei em seguida.

“Não temos muito movimento por aqui, porém como vão bloquear um lado da pista por um trecho, é provável que tenha trânsito.”, ele respondeu.

Dei uma respirada funda, uma tragada no cigarro e fiquei um tempo com a cabeça nas nuvens sem saber o que fazer, mas logo em seguida o gerente fala:

“Não se preocupe, eu fiz um mapa no guardanapo para você desviar do trânsito. Com esse mapa, você vai pegar uma pequena estrada paralela e sair depois das obras na estrada principal.”

Fiquei contente como nunca. Não conseguia acreditar em como aquele cara era gentil.

Ele me explicou rapidamente como eu iria pegar a estrada paralela, fumou um último cigarro comigo, falamos algumas besteiras e demos algumas risadas. Novamente nos despedimos. Entrei no carro, acendi os faróis e dei partida. Liguei na rádio local que tocava Kansas, Dust in the Wind, achei confortante e fui embora para casa.

Pegar a estrada paralela era fácil. Eu tinha que fazer o mesmo caminho como se fosse para a estrada principal. Era uma bifurcação. Do lado esquerdo a saída para a estrada principal, do lado direito, a saída para a paralela. Dei seta à direita e segui no caminho alternativo.

Estava tudo deserto e vazio. Cheguei a pensar comigo mesmo que provavelmente não teria trânsito na estrada principal, mas como eu estava exausto e um pouco alcoolizado não quis arriscar ficar preso no engarrafamento.

A estrada paralela era estreita, uma faixa para cada sentido. Não tinha uma viva alma no local e somente mato para todo o lado. O ar era fresco e gelado. Dava somente para escutar os “criques” dos grilos e os apitos barulhentos das cigarras. Eu rodava entre 60 e 80 Km/h. No limite da velocidade. Farol alto, pois não havia iluminação na estrada.

Eu estava com a atenção redobrada, pois estava com algumas dificuldades para enxergar devido á uma neblina que logo chegara.

Não via a hora de encontrar a placa que indicaria o acesso à estrada principal. Já haviam se passado 40 minutos naquela estrada morta e nada de aparecer a maldita placa. Comecei a sentir um frio na espinha. O som do carro começa a falhar como se estivesse perdendo o sinal da rádio. Resolvi desligar o rádio.

Nesse momento a estrada já era de terra e eu me perguntava se eu estava no caminho certo. Dirigi por mais 3 minutos e passei por essa obra abandonada. Inclusive era a única coisa que se assemelhava à uma civilização que eu havia visto até o momento.

A construção era enorme. Dois andares de blocos de concreto, sem acabamento e sem o teto. Devia ter uns 200 m² cada andar. Era bem grande. Enquanto o carro andava, encarei a obra e os pelos dos meus braços se arrepiaram. O local era sinistro e por um momento pensei ter visto uma pequena luz saindo de dentro de uma das janelas da construção.

Achei que era besteira da minha cabeça e que o álcool ainda fazia efeito. Ignorei e segui em frente por mais uns 10 minutos, quando me dei conta de que não fazia mais sentido continuar naquela estrada.
Acho que o medo invadiu meu corpo e senti que era hora de voltar para a cidade e voltar para o início onde eu entraria na estrada principal e arriscaria o engarrafamento. Chega!
Parei o carro, fiz uma volta pelo mato ao lado e inverti o sentido da estrada para voltar para a cidade.

Acelerei como um louco. O ponteiro já estava a 100 km/h. Não me importei, afinal não havia sinal de vida nessa estrada! Não via a hora de voltar pra cidade e adentrar o caminho que eu já conhecia para ter aquela sensação boa de segurança.

Peguei meu celular e espetei o cabo auxiliar para ligar uma música e me sentir melhor. 5% de bateria! Eu nem havia percebido. Abri o porta luva procurando o carregador e não encontrei. Me dei conta que havia deixado na gaveta do trabalho. Nessa hora a raiva explodiu dentro de mim. Minha vista ficou turva e para piorar o carro começou a falhar! Fui diminuindo a velocidade e encostando em um espaço no mato ao lado, até que ele morreu de vez.

Parado no meio do mato, olhando para o volante do carro, e para o marcador de gasolina, explodi comigo mesmo:

“CARALHO! ESQUECI DE ABASTECER!”

No mesmo momento peguei o celular e liguei para o gerente barriga de pêra que havia dado seu número. Caiu na caixa postal direto. Pensei:

“Legal, acabou a bateria do filho da puta e ele deve estar dormindo bêbado que nem um porco!”

Já não sabia mais o que fazer e disquei para a polícia para solicitar um resgate.

1% de bateria. A telefonista atende e quando começo a falar, fica mudo. A bateria foi pro saco. Olhei pro volante do carro, dei um soco no painel que arrebentou as peles da mão e começou a sangrar.

Dei um grito, seguido de algumas risadas macabras e me acalmei logo em seguida. Abri o vidro do carro e acendi um cigarro. Dei uma profunda tragada e olhei para o outro lado da estrada. Lá estava aquela obra macabra inacabada. O carro havia parado bem do lado desse lugar macabro e eu nem havia notado.

Fiquei encarando aquele lugar e nessa hora eu já não tinha nenhum sentimento ruim. Estava calmo. Pensava qual seria o próximo passo. Nada me restava a não ser dormir no carro e procurar ajuda pela manhã. Até o momento não havia passado nenhum carro desde que eu havia entrado nessa estrada. Tudo era muito bizarro.

Abri a porta do carro, me levantei e fui para trás abrir o porta mala. Peguei o triângulo de sinalização, montei e armei atrás do carro, na esperança que algum carro passasse e prestasse socorro. Joguei a bituca de cigarro no chão e pisei em cima para apagar.

Encarei novamente aquela obra em ruínas, sombria como um castelo abandonado. Uma luz brilha rapidamente de uma das janelas. Pisco meus olhos com força e penso:

“Dessa vez eu vi. Não estou bêbado!”

E por tudo que eu já havia passado, com certeza os efeitos da bebedeira haviam passado!

Meus pés doíam dentro do sapato de couro. Tudo o que eu queria era tirar a roupa, tomar um banho quente, dois comprimidos de dipirona e cair na cama.

Em cada axila havia se formado uma poça de suor, parecendo com o fundo de uma caixa de pizza de muçarela tombada, marcando a camisa azul que já estava toda amassada à essa altura do campeonato.

Bateu um vento frio e senti um alívio refrescante. Peguei meu paletó que estava pendurado no banco do motorista e me vesti para cortar o frio.

Olhei novamente para a mesma janela da construção e novamente uma luz se acendeu. Dessa vez se manteve acesa.

Alguns segundos depois, escuto o som de um grito animal vindo dessa janela. O som era como de um porco agonizando no abate. Tomei um baita susto e na mesma hora meu corpo ficou congelado de medo e fiquei olhando para a direção do grito, paralisado, sem saber o que fazer.

Pensei:

“Deve ser alguma família sem teto que vive aí, não é possível. Devem criar porcos nos fundos do terreno. Estão fazendo o jantar deles. Só pode ser isso.”

Já se passavam da meia-noite.

Resolvi encostar sobre o carro, fumar mais um cigarro e ficar observando aquele lugar sinistro. Nessa hora nem sabia mais o que fazer, não tinha sono e nem coragem de entrar no carro para dormir.

Um grito de uma mulher em pânico ecoa no ar. Sons agonizantes de alguém sofrendo algum tipo de tortura. Em seguida começa uma narração em grupo:

“LEVANTE-SE PODEROSO! TODO PODEROSO! GOVERNE O MUNDO! GOVERNE NOSSAS ALMAS! VOSSO SERVOS SEREMOS POR TODA A ETERNIDADE!”.

E essa passagem se repetiu por 5 vezes.

Entrei em pânico e fiquei por uns momentos pensando o que faria. Em um impulso, abri o porta malas, peguei a chave de rodas e fui para a frente daquele lugar sinistro.

Fiquei parado em frente a enorme porta de ferro que indicava a entrada para a obra abandonada. Tentei abrir a maçaneta, mas estava trancada. Era super pesada. Fiz toda a força que eu tinha, mas não consegui nem mover. Estava totalmente trancada. Numa tentativa desesperada, tentei forçar a abertura colocando a parte de trás da chave de roda no vão da porta e fiz o máximo de força que eu tinha. Nada.

Irritado dei um chute na porta.

Olhei para o chão e percebi que estava sobre madeira, na verdade um alçapão que se abriu sem dar tempo de fugir.

Escorreguei na escuridão. Tentei gritar, como se estivesse numa montanha russa, mas minha voz falhou e saiu somente ar da garganta.

Aterrisei ainda na escuridão, sobre um fosso fedorento. Sentia um cheiro de carne podre e grunhidos de ratos. Acabei vomitando cerveja velha e restos de porção de coxinha. A água batia no meu joelho. Não conseguia enxergar nenhum palmo a frente. Perdi a chave de roda.

Meu corpo estava completamente arrepiado. Uma mistura de medo com frio. Me urinei sem mesmo perceber. Só me dei conta quando senti o líquido quente se escorrer pela calça.

Comecei a caminhar naquela água asquerosa e muitas vezes esbarrando em pedaços de coisas que boiavam na água. O cheiro putrefado me vazia ter ânsia sem parar.

Lembrei do meu isqueiro que estava no bolso da calça e o peguei para iluminar o local e tentar achar uma saída. Por sorte era um Zippo. Após algumas tentativas, ele se acendeu. Senti uma pequena dose de alívio.

Quando o caminho se iluminou, notei que aquela água preta onde eu estava caminhando se tratava de um local para desovar corpos. Os corpos estavam mutilados, irreconhecíveis.

Soltei um pequeno grito de espanto, mas logo me acalmei e coloquei a cabeça no lugar para planejar uma fuga daquele local. Eu tinha que ser astuto, pois alguém ou algo havia aberto aquele alçapão e em breve esse alguém iria atrás de mim.

Forcei a vista e encontrei uma escada no fundo do porão. Fui me arrastando no meio dos corpos até chegar na escada. Dei uma respirada de alívio.

Sentia dores nas pernas por conta da queda e fui subindo as escadas com dificuldade. Meu coração batia na garganta com força. Eu respirava com dificuldade. O medo invadia minha alma e eu tinha aquele sentimento constante que a morte se aproximava. Sentia que meu corpo podia estar em outro plano, em outra dimensão. A qualquer momento algo ruim poderia acontecer e eu deveria ficar complete alerta.

No topo das escadas, percebi que havia uma luz branda, como reflexos de iluminação com velas. Fui devagarosamente subindo para não fazer barulho. Rezei para que, seja lá quem estivesse nesse lugar, pensasse que eu estivesse morto com a queda.

Chegando no topo das escadas, cheguei a um quarto ou uma sala. Um local com espaço amplo. As paredes eram completamente negras. Um altar repleto de velas acessas. De um lado do altar, um porco degolado e pendurado. O sangue escorria para dentro de um balde grande. Do outro lado, uma garota nua, também pendurada com as pernas para o alto e sem cabeça. O sangue também escorria para um outro balde. O local infestado por desenhos e símbolos ocultos, feitos em giz.

No chão, estava desenhado um símbolo circular estranho que eu não tinha a menor ideia do que se tratava.

Umas dez pessoas nuas e mascaradas estavam em pé em volta desse círculo, de mãos dadas e cantavam uma canção em outra língua. Um dialeto que não consegui reconhecer.

No meio do círculo estava a cabeça do porco e a cabeça da pobre garota degolada, com os olhos revirados.

Todos estavam mascarados, mas reconheci aquela barriga em formato de pêra. Era aquele gerente. O filho da puta me enganou! Me fez chegar até aqui inventando uma mentira. Presumi que naquele círculo eram todos membros daquela empresa que eu havia passado o dia.

A raiva invadiu meu corpo. Abri minha boca para xingar aquele filho da puta, mas de repente senti uma dor forte na nuca e simplesmente desmaiei. Alguém havia me golpeado.

Sonhei com uma mulher com cabeça de porco, totalmente ensanguentada e com uma faca na mão, vindo em minha direção, com os olhos revirados. No lugar de sua voz saíam somente sons de grito como um porco sendo abatido.

Comecei a gritar de desespero e quando estava para ser apunhalado no crânio, acordei berrando, totalmente suado na cama de um hospital.

Olhei para os lados assustado, com dores na cabeça e dores nas pernas como se algo tivesse se chocado contra meus joelhos.

Não entendia nada do que estava acontecendo. Olhei para fora do quarto e vi uma silhueta arredondada entrando.

O gerente barriga de pêra entra com cara de preocupação. Desesperado. Assim que me vê acordado, dá um sorriso largo e até hoje acho que era um pouco sinistro. Me fala, bufando:

“Você acordou! Não acredito!”

Eu: “Como assim?”

Ele me olha profundamente e fala:
“Você bateu o carro, sofreu um acidente. Estava em coma! O médico achava que talvez você não acordasse mais! Confesso que é um alívio te ver acordado.”

Fiquei confuso. E ainda me sentia assombrado pela imagem da mulher porco.

Parei uns segundos e consegui me recompor.

O gerente volta a sorrir de uma maneira macabra e me diz:

“Achei seu isqueiro, aqui está…”

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