O EXORCISTA


Diretor:  William Friedkin
Ano: 1973

Sinopse (por Bruce Clark):
A atriz de cinema Chris MacNeil (Ellen Burstyn) se encontra numa situação desesperadora quando sua filha Regan MacNeil (Linda Blair) começa a apresentar sinais de dupla personalidade e atitudes perturbadoras, buscando a ajuda de médicos que, mesmo após diversos exames, não conseguem diagnosticar a doença da criança e acabam chegando na conclusão que a criança possa estar possuída por uma entidade maligna. Diante dessa situação, Chris MacNeil busca a ajuda da igreja com a esperança de que um exorcismo salve sua filha.

Atenção: pode conter spoilers!

Análise/Crítica (por Bruce Clark):

Bom, primeiramente, nada como começar um Blog voltado à filmes de terror com um dos melhores filmes já lançados na história!

Assisti novamente O Exorcista ontem de noite, lá pelas 1:00 AM. Eu estava pensando… “Preciso tomar coragem e começar meu blog! Mas qual será o filme que estreará o blog?”

Pensei em algum filme baseado em obra de Stephen King… ou algum terror bosta que assisti no Netflix esses dias…

Mas quer saber… vou começar pelo filme responsável por ter me tirado algumas noites de sono quando eu era pirralho.

Corri procurar O Exorcista para assistir! E claro que me caguei de medo assistindo novamente. Queria que a minha esposa assistisse comigo, assim não me cagaria de medo sozinho, mas acho que é mais fácil convencer ela de parar de comer brigadeiro do que assistir esse filme.

Dessa vez, tive que assistir sozinho, não teve jeito!

Assisti a versão do diretor (o que não achei uma boa escolha e mais pra frente vou explicar por que).

Já devo ter assistido esse filme umas 7 ou 8 vezes. Acho que fazia um bom tempo que não assistia.

O que é perfeito nesse filme é aquilo que eu chamo de cadência: a forma que evolui a história e como você vai entrando aos poucos nessa história e se envolvendo de uma maneira que nem percebe o tempo passar. Nesse filme tudo vai acontecendo com calma e vai te entregando aos poucos uma situação desesperadora, sem dizer extremamente assustadora (de gelar a espinha mesmo). Se fosse a versão original (e não a versão do diretor), embora não tenham algumas cenas (como por exemplo a menina possuída descendo as escadas de costas), acredito que a edição é melhor e cumpre melhor o andamento da história. A versão do diretor, com cenas extras, na minha opinião quebra um pouco a cadência do filme e entrega a história rápido demais e as vezes ficando meio sem sentido (ãh?)…

Tenho certeza que muitos preferem a versão estendida por ter essa cena assustadora da escada, mas na minha opinião essa cena não tem sentido no meio da história, pois naquele momento, ao meu ver, a menina ainda não está naquele nível de possessão, então ficou estranho. Ela desce a escada de costas, baba sangue e… corta para outra cena qualquer… enfim, quiseram colocar um “jump scare” em um filme que não foi feito para tomar sustos momentâneos. Esse filme foi feito para você se sentir com medo e incomodado o tempo todo! Você quer e não quer ver a próxima cena… porque sabe que vai se cagar!

O filme começa no Norte do Iraque onde o padre Merrin (Max Von Sydon) está participando de uma escavação arqueológica e encontra, entre algumas peças, dois itens estranhos: um pingente e uma pequena estátua de um demônio. O mais estranho é que o pingente não correspondia à época dos demais itens encontrados.

Estátua do demônio Pazuzu

Mais informações sobre Pazuzu:

https://pt.m.wikipedia.org/wiki/Pazuzu#:~:text=Pazuzu%20%C3%A9%20frequentemente%20representado%20por,o%20corpo%20revestido%20de%20escamas

Um detalhe que pra mim não ficou muito bom no filme é quando o padre Karras joga água benta falsa na menina e grava o audio da reação dela. Mais tarde ele vai escutar e identificam que é inglês ao contrário que estava sendo falado por mais de uma entidade. Mas ela não estava possuída por Pazuzu somente? Não sei, pode ser que tenha uma explicação que eu não saiba ou isso é uma falha… well…

Como eu falei, desde o começo o filme deixa o clima pesado e sentimos a mesma coisa que o padre Merrin: Vai acontecer alguma merda, e das grandes!

O filme deixa a entender que a menina foi possuída por um demônio que entrou em contato com ela através de uma tábua ouija que a menina encontra na casa.

Obviamente, a menina não sabe que a entidade é um demônio, mas sim um “amigo invisível” que ela chama de capitão Howdy.

Curiosidade:
Existe uma música da banda Twisted Sisters que se chama Captain Howdy.

Mais referências à Capitão Howdy:

https://pt.qwe.wiki/wiki/Captain_Howdy


Sobre as atuações:

Levando-se em conta a idade da atriz Linda Blair na época, achei a atuação dela excelente! Mesmo com as maquiagens perfeitas e efeitos especiais avançados, a menina soube convencer o espectador de que estava realmente possuída.

Apenas lembrando que a voz do demônio obviamente não foi feita pela atriz Linda Blair, mas sim pela atriz Mercedes McCambridge:

Mais informações sobre Mercedes McCambridge:

https://en.wikipedia.org/wiki/Mercedes_McCambridge

Vale ressaltar a atuação da mãe da garota, Ellen Burstyn que também foi espetacular. A atriz soube nos envolver no drama. Soube convencer que realmente está desesperada com a situação de sua filha e que está disposta a fazer de tudo para salvá-la. Há muito anos atrás assisti um documentário sobre o filme onde falava que a atriz estava com dificuldades em algumas cenas e simplesmente o diretor puxou ela de canto e sentou um tapa na cara dela. E não é que saiu a cena logo em seguida?

Não tem como negar que o clima desse filme é pesado até mesmo nos bastidores…

A atuação do padre Damien Karras (Jason Miller) foi muito boa também. Nada espetacular, mas soube envolver o espectador no drama de sua vida. É perceptível que o demônio se aproveita da morte de sua mãe para atingi-lo, mesmo antes que o padre tenha conhecimento da situação da menina.

Será que o demônio temia o padre e por isso invadia seus sonhos? Seria uma tentativa de afastar o padre?
Fica clara a mensagem de que o mal se aproveita das fragilidades corriqueiras das pessoas. Se pararmos para pensar, a menina e a mãe tinham decepções e problemas com a separação, o padre perdeu a mãe e entrou em depressão, enfim, situações que podem acontecer com qualquer um, mas que podem nos atingir psicologicamente e estarmos suscetíveis ao mal! Moahahaha.

Bom, essa foi a forma que eu interpretei o filme nesse aspecto. Opiniões não são verdades absolutas.

Agora falando de maquiagens e efeitos especiais, esse filme está muito além do seu tempo! Filmes nessa época não apresentavam o nível de qualidade que O Exorcista apresentou. Falando somente do truque da cama se mexendo, isso já era uma inovação absurda! E pra falar a verdade, tem muito filme da atualidade que, mesmo com toda a tecnologia que temos, não consegue fazer nem metade do que o Exorcista fez em 1973. Muitos filmes, mesmo não sendo de terror, devem muito ao Exorcista em inovação de efeitos especiais. Outra coisa que acho foda é a cena da menina virando toda a cabeça… o que é aquilo? A primeira vez que assisti essa cena não saía  mais da minha cabeça.

“Do you know what she did? Your cunting daugther!”


Enfim, O Exorcista foi um sucesso absurdo de bilheteria. Um investimento entre 8 e 12 milhões e um retorno de 411 milhões só na bilheteria!!!! Curiosamente, nenhum dos atores fizeram sucesso depois disso. Nem mesmo a Linda Blair conseguiu deslanchar… ainda mais depois do fiasco do Exorcista II. Não adianta, continuações de filmes 99% das vezes são bostas! Basta ver quantos Hellraiser e Colheita Maldita existem? Quais são realmente bons? Os primeiros, claro…

Outra curiosidade… o pingente que o padre Merrin encontra na escavação no começo do filme, não é que é o mesmo pingente que o padre Karras usa e que o demônio arranca do pescoço dele quando eles saem na porrada? Tudo nesse filme foi conectado com maestria e sutileza, exigindo a atenção do espectador. Pois é, pode rir da minha cara quem já sabia disso, mas só percebi isso dessa última vez que assisti…

Para quem não assistiu, assista! Esse filme faz você crer ou pelo menos refletir sobre a paranormalidade, ocultismo, demonologia, etc…

Minha nota para esse filme é 4,5 estrelas.

Nas próximas análises prometo ser mais breve! Mas é que esse filme, se deixar, da para escrever um livro só analisando ele.

Vou deixar mais uns links sobre curiosidades e mais informações extras sobre o filme.

Um abraço a todos!

Documentário 25 anos do filme exorcista (legendado):

https://youtu.be/A7YJH9HM_fs

Mistérios nas filmagens (por Lucas Maia – Canal Refúgio Cult) – sigam o canal Refúgio Cult. Tem muito terror e o apresentador/crítico é muito bom! Vale a pena!

https://youtu.be/i7X-NXEaRMc

Porque o Exorcista é bom?
Crítica do filme por Otávio Uga (Canal super 8) – super recomendado. O Otávio é um cara que conhece MUITO de cinema e tem uma opinião maravilhosa além de ser uma figura engraçadíssima. Vale muito a pena o video:

https://youtu.be/zr04QcGJtmU

3 comentários em “O EXORCISTA

  1. Primeiro, parabéns por começar com um tema tão bom e abrangente. É difícil ter um blog (vai por mim), mas quando você começa ver realmente os números crescendo você fica feliz.

    Segundo, a análise de fato:concordo com você na questão da cadência do filme. Já vi colegas meus dizerem que o filme é lento, mas não acho. Acho que pra aquela situação é perfeitamente normal, justamente para criar toda a tensão (e aí eu entro no ponto do cansaço. Você exaure tanto o personagem quanto o espectador, e a situação vai ficar cada vez mais desgastante). É claro que a atuação da mãe da Reagan passa muito o desespero disso. Mas o filme brinca com o momento certo pra dizer que o capiroto está ali e a mostrar um horror mais visceral.

    Quanto a maquiagem e efeitos; de fato, muito filme tem que comer muito feijão com arroz pra aprender. Os efeitos pode, e é claro ficam datados, mas mesmo assim são ótimos, agora a maquiagem é fenomenal. Todos os outros Exorcistas que vieram depois deste (e com melhor tecnologia) não conseguiram chegar na metade da escadaria que esse chegou em termos de maquiagem. É por isso que eu gosto de filmes que usam a praticidade ao invés de CG, pode me chamar de velho. Mas nada melhor do que o “de verdade”.

    Por isso mesmo, indico pra que você faça uma análise do remake de Evil Dead, que acho eu um dos melhores remakes por exatamente ser bastante visceral (e tirar o momento cômico que tinha). Enfim, é isso.

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    1. Não poderia ter comentário melhor Vitor. Fico muito agradecido pelo apoio. Acabei de começar o BLOG e faço isso com paixão, sem esperar muito retorno. Comecei há pouco tempo. Eu amo a trilogia Evil Dead, desde criança. É super visceral e Bruce Campbell é sem dúvidas um dos melhor heróis politicamente incorreto e canastrão na história dos filmes. Valeu meu amigo! Um grande abraço! Vou fazer um post com dicas de blogs sobre o assunto terror e coloco o link do seu blog lá. Valeu!

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